Monday, February 05, 2007


Certa vez, perguntaram a Gandhi se pretendia que a Índia, uma vez independente, se viesse a tornar tão desenvolvida como a Grã-Bretanha.

Aresposta foi uma negativa peremptória. "Se, para chegar onde chegou, a Inglaterra teve de devastar meio mundo, de quantos mundos precisaria a Índia?"
(...) Os países emergentes não podem tentar desenvolver-se copiando o modelo de crescimento usado pela Europa e pelos Estados Unidos: nem duas Terras, se as houvesse, chegariam para fornecer recursos para tal.
(...) O paradigma do desenvolvimento mudou com a chegada ao mercado global de grandes países como a China ou a Índia.
(...) Actualmente, a China consome 26% do aço mundial e 47% do cimento. A seguir aos Estados Unidos é o maior importador de petróleo. E as perspectivas apontam para que, tanto o PIB como a população, continuem a crescer fortemente. Quanto à Índia, poderá vir a ultrapassar a China dentro de quinze anos, tanto no plano económico, como no demográfico. O Protocolo de Quioto isentou temporariamente estes dois países da obrigação de reduzir as emissões gasosas com incidência no efeito de estufa. Mas, a partir de 2012, o tema terá de ser reequacionado.
A tendência ocidental tem sido, frequentemente, a de culpar estes dois países pela alta do preço do petróleo e de outras amtérias-primas.
Christopher Flavin, presidente do Insituto Worldwatch e cidadão norte-americano, não pensa assim.
Lembra que os Estados Unidos consomem dez a vinte vezes mais matérias-primas correntes por habitante que aqueles dois países e, sensivelmente, o dobro dos europeus, cujo nível de riqueza não é muito diferente da existemte além-Atlântico. Tendo apenas um quarto da população chinesa, os norte-americanos importam o quádruplo do petróleo.
(...) Os países em vias de desenvolvimento enfrentam um dilema: não desenvolver para não poluir, ou desenvolver acarretando com os problemas ambientais do mundo ocidental.

Rui Cardoso

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